Quando o "futuro" começa?

A melhor maneira de predizer o futuro é inventá-lo.
Alan Kay

O que você estará fazendo em 10 anos? Qual será sua profissão? A empresa onde você trabalha continuará existindo? Seguramente, essas são questões mais desafiadoras do que se tivessem como “futuro a ser idealizado” um intervalo de apenas uma ou duas semanas, não é mesmo? Entretanto, sobretudo em ambiente corporativo, antever 10 anos vale mais do que 10 dias.

Quando falamos sobre inovação, transformações sociais, planejamento estratégico ou qualquer atividade relacionada com o pensamento criativo sobre o que está por vir, há uma espécie de consenso entre futuristas que o “futuro que interessa” começa, curiosamente, 10 anos.
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Assim, em 2022 futuristas idealizam como será o ano 2022, sem palpites, mas com técnicas.

É certo que mudanças cada vez mais relevantes acontecem em prazos cada vez menores, entretanto ainda é fundamental que organizações – e indivíduos – exercitem estrategicamente o pensamento sobre futuros para o horizonte de uma década.

A razão para a escolha desse período tem pouco haver com a urgência e a frequência das mudanças. Trata-se apenas de uma tentativa  para que superemos o paradoxo do presente.

Paradoxo do presente

Amy Webb, famosa futurista, define o “paradoxo do presente” como a dificuldade que todos enfrentamos de “imaginar o futuro” em função da carência de pontos de referência compartilhados, no presente, para o que está por vir.

The Signals are Talking

Amy Webb compartilha nesse livro suas percepções e algumas técnicas com eficiência demonstrada para a prática do futurismo. Leitura interessante!

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O “curto prazo” favorece o mais do mesmo

Quando pensamos em “futuros” mais próximos – como a próxima hora, semana, mês ou ano – temos mais dificuldades para considerar ideias ou possibilidades realmente inovadoras. Isso acontece porque temos amarras tão fortes com elementos da realidade atual que fica difícil imaginar o futuro sem esses elementos. Projetos inovadores planejados para horizontes mais curtos costumam ficar nas adjacências do que já se faz – ou seja, a busca por formas melhores de fazer aquilo que já fazemos bem.

As “amarras com o presente” fazem com que ignoremos sinais claros das mudanças a ponto de que elas pareçam repentinas quando escalam. Antes do Uber, por exemplo, era difícil imaginar que o transporte público seria muito menos regulado. Antes do AirBnB era difícil imaginar viagens sem hotéis. Antes da pandemia do COVID-19, era difícil imaginar grandes empresas sem grandes escritórios.

The Paradox of the Present (Amy Webb)

Nesse vídeo, Amy Webb explica o “paradoxo do presente” e seus impactos em algumas marcas bem-sucedidas no passado, como a Sony, que foi redefinida, e BlackBerry, que deixou de existir.

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“Prazos excessivamente longos” não conduzem a prática

Enquanto prazos muito curtos “amarram ideias” a realidade presente, prazos muito longos são excessivamente “desconectados da realidade” e acabam gerando pensamentos sobre o futuro com baixíssima aplicação prática.
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Os Jetsons, um desenho animado extremamente popular surgido em 1962, retratava uma realidade muito adiante de seu tempo. Ele apresentava elementos como o “carro voador” – uma verdadeira obsessão nerd – que não se concretizaram até hoje, mais de 60 anos depois, e ainda não tem perspectivas de realização.

10 anos é o “horizonte ideal” para o futurismo

Dez anos é um período tempo suficiente para que a maioria das pessoas aceitem cenários “desconectados das amarras atuais”, além de eventuais descontinuidades. Em compensação este espaço de tempo tampouco é exageradamente longo ao ponto de que cenários imaginados sejam percebidos como inatingíveis.

Uma década é tempo suficiente para que uma ideia se converta em negócio ou para que uma tecnologia emergente se consolide. O Facebook, por exemplo, precisou de dez anos para escalar seu número de usuários de 1 para 1 bilhão. Também foram necessários apenas 10 anos para o número de aparelhos celulares sair de poucos milhares para alguns bilhares. Em uma década, o Bitcoin passou de ensaio intelectual a um ativo com valor acumulado de mais de 300 bilhões de dólares.

A Tesla precisou de uma década para deixar de ser aposta de um “louco” para ser considerada um negócio sério. Depois disso, precisou de apenas mais 10 anos para se tornar a empresa do setor de automóveis mais valiosa do mundo.

Em 2001 ocorria o primeiro casamento legalizado entre pessoas do mesmo sexo. Em 2011, trinta e um países já possuíam leis reconhecendo esse direito.

Sob a perspectiva individual, 10 anos é tempo suficiente para completar uma formação de nível superior. É o período de tempo em que um bebê de colo se converte em pré-adolescente. Em apenas uma década, um “ilustre desconhecido” pode se tornar expert mundial em alguma área de especialidade que sequer existe atualmente.

Para pensar…

Pensar o futuro é essencial – seja para moldá-lo ou para adaptar-se a ele. Entretanto, pensar o futuro no curto prazo tende a que nos afastemos no novo. Por outro lado, pensar no longo prazo exagerado, mesmo promovendo mais liberdade criativa, tende a nos levar a produzir insights que não direcionam a ação.

Em termos práticos, pensar o futuro em um horizonte de 10 anos confere o equilíbrio ideal entre concreto e abstrato a ponto de tangibilizar ameaças e oportunidades reais – livres da ilusão de entendimento promovida pelos sucessos do presente.

O que você estará fazendo em 10 anos? Qual será sua profissão? A empresa onde você trabalha continuará existindo? Seguramente, essas são questões desafiadoras mas que merecem pelo menos o esforço bem-intencionado de busca por respostas.

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Tiago Tartari
Tiago Tartari
9 meses atrás

Do ponto de vista de uma empresa, caminhos são tratados no presente para uma TENTATIVA de acertar o futuro, ressalto, TENTATIVA.

Trazendo o caso da Blockbuster em 1985 era uma loja, 5 anos depois, 1200 lojas, 10 anos, ou seja ano 2000, eram 7700 lojas.

Ao olhar para isso, parece o resultado perfeito, não?

Ainda no caso da Blockbuster, eles não contavam que em 2010 perderiam 1200 lojas, ficando com 6500 ativas.

Hoje em 2022 a tão dita empresa com crescimento excepcional tem somente 1 loja.

Em 10 anos muita coisa muda e vai mudar.

Um novo mercado, uma nova forma de pensar, um modelo de negócio diferente, no meu exemplo da blockbuster, o surgimento do YouTube e Netflix, uma catástrofe, um atentado, uma pandemia.

Enfim, há série de motivos para falar dos fracassoa de uma e sucessoa de outra.

Agora, do meu ponto de vista.

Todos precisam de planos, seja pessoais seja a nível corporativo, e precisamos fazer, a única questão é onde está minha confiança?

Soa como aberração querer antecipar ou predizer o futuro em tempos presente 

Não temos controle algum, de nada, sem a permissão de Deus.

Um exemplo. Quem iria imaginar, em seu planejamento uma pandemia?

Lembro-me que seriam 15 dias de lockdown e tudo estaria como antes.

Quem iria imaginar em seu plano estratégico, que uma pandemia ultrapassaria dois anos?

Não há plano perfeito para o homem que não seja facilmente alterado por Deus.

Isaías 55: 8-9

Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês,nem os seus caminhos são os meus caminhos”, declara o ­Senhor. Assim como os céus são mais altosdo que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos; e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos.”

Emprego, empresa, situação financeira, nada está em nosso controle, nada. Em questão de horas, minutos, segundos tudo muda.

Você Elemar, passou por isso. No início do dia acordou com vigor, no fim do dia estava em uma UTI em situação crítica, sem saber se voltaria, ou seja, Deus fazendo os planos Dele. 

Te garanto que os seus planos eram:
– estar com seu filho, esposa
– lendo um livro,
– escrevendo algo que tanto gosta
– fechando um negócio importante

Deus é especialista em mudanças de planos, principalmente quando somos arrogantes o suficiente para achar que temos o controle de tudo.

Não há problema algum em se planejar, aliás, é importante. O problema é o homem querer fazer o papel de Deus antecipando, ou tentando entender o futuro.

2° Coríntios 3:5 

Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus

Deixar Deus agir no seu presente e futuro é questão de confiança, mas Nele, não em seu plano ou em sua situação financeira.

Salmos 125:1 

Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se pode abalar, mas permanece para sempre.

Irmão nossos planos são incertos, não confie de todo seu coração nele, Deus pode mudar a qualquer momento.

Tiago 4:13‭-‬17

Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. Vocês nem sabem o que acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Em vez disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna. Portanto, pensem nisto: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz comete pecado.

Uma pequena reflexão sobre plano e em quem confio.

Ortiz David
Ortiz David
9 meses atrás
Feedback no conteúdo deste capítulo Enquanto prazos muito curtos "amarram ideias" a realidade presente, prazos muito longos são excessivamente "desconectados da realidade" e acabam gerando…" Ler mais »

Ótimo.
Excesso de planejamento é uma maldição.
O melhor é executar em fases.

Ortiz David
Ortiz David
9 meses atrás

Elema Jr!
Estou grato pelo artigo.
Sou Angolano, formado em Engeharia Informática e tenho visto os seus vídeos no canal do Youtube.
Tenho aprendido muito com os seus vídeos.
É importante este ponto vista, sabenso que a minha geração é super-imediatista. Todo mundo pega um curso que ensina a ser egenheiro em 2 meses, certificações para se tornar sénior e param apenas num CRUD enorme.
Tenho fugido dessa mentalidade nos últimos meses, estudndo a base da computação.
Actualmente tenho estudado Erlang e C# e espero ser fluente nessas ferramentas.

Cris manfro
Cris manfro
9 meses atrás

Competência, lucidez, consciência refletem tuas palavras. O equilíbrio entre o curto e longo prazo, acredito ser o controle da ansiedade. A ansiedade é importante a curto prazo para que você tome as decisões e tenha o comprometimento necessário. É ela que nos alerta! A longo prazo um veneno que tira o sossego , angustia e muitas vezes paralisa. Como sempre , você preciso nas suas palavras.

Elemar Júnior

Fundador e CEO da EximiaCo, atua como tech trusted advisor ajudando diversas empresas a gerar mais resultados através da tecnologia. 

Desenvolvendo gente que faz a diferença

reconhecida excelência da EximiaCo, em consultorias e assessorias, aplicada no desenvolvimento de competências através de publicações e capacitações abertas e in-company.

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